Textos e Publicações de Carmen Cerqueira Cesar
Função materna e vida profissional
No primeiro ano de vida do bebê é de fundamental importância sua relação com a mãe. O papel do afeto na relação mãe - bebê cria um clima emocional favorável sob todos os aspectos para o desenvolvimento da criança. Cria um mundo completo de experiências úteis. A atitude emocional materna, seus afetos, servirão para orientar os afetos do bebê e conferir qualidade de vida à sua experiência.

Trata-se fundamentalmente da qualidade das trocas afetivas que se dão nesse período entre eles e que serão estruturantes para o psiquismo da criança. O investimento amoroso (libidinal) lançará as bases do narcisismo e auto-estima do sujeito. Através do olhar, da voz, do toque, do cheiro, a mãe introduz a criança num mundo de experiências e sensações, que conferirão ao bebê uma qualidade de vida, um clima emocional que favorecerá ou não (dependendo da qualidade dessas trocas) seu desenvolvimento.

A mãe funciona como espelho antecipando simbolicamente o que o bebê está sentindo. Com seus olhares zangados, ameaçadores ou ternos, empresta significados às manifestações do bebê.

A mãe funciona também como concha, ou seja, ela é continente para as angústias do bebê, reduzindo seus transbordamentos emocionais, o que lhe transmitirá segurança para toda a vida.

A mãe através de seus cuidados imprime a marca do seu Desejo no corpo da criança (corpo+psiquismo) para ali fundar um sujeito desejante. Mais tarde, ela também fará intervir a função paterna.

Nessa fase ocorrem importantes processos de maturação do sistema nervoso e psicomotor, aos quais é importante que a mãe esteja atenta e que também dependem do desenvolvimento emocional da criança.

Para uma mulher, ou para qualquer pessoa, a vida não deveria se resumir ao trabalho. No entanto, as empresas não facilitam a vida de quem tem filho. Poucas dessas empresas estão sensibilizadas para essa questão. Somente algumas dispõem de “creches” ou berçários para que a mãe possa levar seu bebê à empresa, amamentá-lo, estar com ele, ou permitem que suas profissionais trabalhem em casa para cuidarem de seus filhos pequenos. Horários flexíveis que também seriam extremamente convenientes ainda são raros. Infelizmente, aqui no Brasil, embora venha se falando nisso muito ultimamente, ainda é sonho.

A desintegração da sociedade patriarcal (enfraquecimento da função paterna) no mundo contemporâneo, aliada á privação do convívio materno, que se iniciou com a industrialização na segunda metade do século XIX, traz conseqüências para a vida dos filhos. A privação ou insuficiência do alimento afetivo que lhes é devido leva à aridez afetiva, baixa auto-estima, agressividade e violência.

A maternidade, de fato, muitas vezes, interrompe projetos profissionais. Aí é uma questão de escolha. A carreira pode ser retomada, enquanto que o filho cresce e não dá para recuperar o que se deixou de fazer por ele.

Embora a mulher tenha a capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ela ainda precisa de uma estrutura de apoio para crescer profissionalmente. E um filho precisa caber na vida dessa mulher.