Textos e Publicações de Carmen Cerqueira Cesar
"Uma nova configuração da família contemporânea"
A família tem um papel fundamental na constituição do sujeito humano. Ela é a base de sustentação do indivíduo e seu modelo de identificação. É raiz, referencial, ponto de partida. Indica rumos, valores, a direção a seguir. A família imprime marcas, define traços, que, ao longo da vida, serão naturalmente questionados pelo indivíduo, no seu processo de crescimento.
Pais equilibrados respeitam a identidade dos filhos, possibilitando seu crescimento emocional. Permitem que eles tenham acesso à vida adulta e se tornem sujeitos responsáveis.

Mas para que isto ocorra, crianças e adolescentes precisam se sentir amados, com espaço para trocas afetivas de qualidade e estabelecimento de vínculos consistentes.

Muita gente se preocupa com a configuração atual das famílias. Hoje é muito comum famílias de múltiplos casamentos, na qual interagem filhos de casamentos anteriores com meio-irmãos, o novo companheiro da mãe ou a nova companheira do pai com os filhos do parceiro. Enfim, há ampla variedade de composições familiares.

O modelo da família tradicional constituída por pai, mãe e filhos ruiu como norma geral (ela existe e que bom quando existe!) Hoje muitos casais se separam. Livres de pesadas exigências sociais, as pessoas buscam, mais do que nunca, a felicidade.

O modelo da família tradicional não é garantia nenhuma de saúde e equilíbrio emocionais. Pelo contrário, muitas vezes é lá que está a falta de amor ou a "loucura". O que de fato é preciso garantir não é a forma, mas o conteúdo, ou seja, as "funções" desempenhadas pelos pais, assim como sua qualidade.

E isto pode acontecer nas diferentes circunstâncias da vida, para filhos de pais separados ou não, nas famílias híbridas ou nas tradicionais. Pais felizes e equilibrados formam filhos felizes e equilibrados.

De que adianta uma mãe presente 24 horas, chata e neurastênica, que mantém um casamento infeliz, ou um pai culpado e que só cumpre obrigações?

Pais imaturos, totalmente inadequados nas suas funções paterna e materna provocam muitas vezes uma confusão de papéis que acaba deixando a criança insegura e desorientada.

Vínculos frouxos, pobres e sem nenhuma consistência emocional afetam a qualidade das trocas afetivas na família, trazendo sérias conseqüências para os filhos.

De qualquer forma, pais e mães de famílias híbridas são pessoas que puderam, em algum momento da vida, encarar dificuldades, a realidade da vida, indo em busca de algo novo. Gente que deu a volta por cima, que encarou desafios. Gente que pôde expôr fraquezas, dizer a seus filhos que não têm todas as certezas do mundo.

Isto traz alívio e tranquilidade para a criança porque faz diminuir as idealizações. A vida real é muito, mas muito mais interessante do que a ficção!