Textos e Publicações de Carmen Cerqueira Cesar
O complexo de Édipo em Freud e Lacan
Para Freud o primeiro objeto de amor, tanto da menina como do menino, é a mãe. No caso do menino, ele ama a mãe e rivaliza com o pai. Pelo temor da castração ele vai recalcar esse amor pela mãe e sair do Édipo. É como se o pai lhe dissesse “esta mulher não pode, mas poderá todas as outras". Desta forma, haverá a identificação com o pai e estará aberto seu caminho para a masculinidade.
Ele então entra no período de latência (no qual vai recalcar este sentimento de amor, que será reativado na puberdade).

Já para a menina é um pouco mais complicado: ela ama a mãe e tem que passar a amar o pai e rivalizar com a mãe. Depois ela tem que se voltar novamente para a mãe para se identificar com ela. Sente-se castrada, reclama com a mãe pelo que não tem, e busca no pai, o pênis do qual se sente destituída. No caminho da feminilidade a menininha deseja o pai pelo que ele tem/é suposto ter: o pênis /atributo fálico. E como vimos, ela terá que fazer uma nova operação (uma a mais que o menino) que será se identificar com a mãe.

Segundo Freud ela sai do Édipo pela Inveja do Pênis e, assim como o menino, recalca seu amor incestuoso para entrar no período de latência até a puberdade.

Algumas meninas ficam detidas lá no período pré-edipiano, nesse amor encantado com a mãe, sem condições de acederem à feminilidade (não são necessariamente homossexuais, mas sim imaturas no seu desenvolvimento psicossexual).

Então, enquanto o menino sai do Édipo pela Angústia de Castração (ele teme perder o seu pênis/o que ele supõe ter), a menina sai do Édipo pela Inveja do Pênis (ela vai buscar o que supõe que o outro tem/ou o que o outro tem).

Podemos notar que Lacan, ao reler Freud, dá um estatuto simbólico ao pênis e o coloca como falo, algo ao qual é atribuído valor, mas que de fato ninguém tem. O falo circula no discurso.

Nos primeiros tempos de vida, a criança, seja ela do sexo feminino ou masculino, ao constituir-se como sujeito, sofre uma alienação primordial, por estar submetida ao desejo materno. Ela é o falo materno (ilusoriamente é claro) aquilo que falta à mãe e que a preenche.

Essa alienação é necessária por ser estruturante para a criança (porque a mãe investe libidinalmente a criança, fundando o narcisismo primário), mas tem que ser rompida pelo ingresso de um terceiro, geralmente o pai, que cumpre a tão necessária função paterna, separando a criança da mãe, interditando o incesto, evitando que a criança fique refém do desejo materno, com todas as implicações que isto possa ter.

Mas para que a função paterna opere é necessário que a mãe autorize a entrada desse pai. A criança então torna-se sujeito de seu próprio desejo, ingressa na cultura e na linguagem e começa a escrever a sua própria história.